Profissionais em evidência

Turismólogos vislumbram o crescimento do mercado graças aos megaeventos da década

Somente a Copa do Mundo de 2014 deverá trazer ao Brasil 600 mil turistas estrangeiros, o que significa um aumento de 12% no fluxo normal de visitantes ao país, de acordo com o governo federal. Além disso, aproximadamente três milhões de brasileiros devem circular pelas sedes do evento. Esse cenário promete oferecer excelentes oportunidades de emprego para diferentes classes de trabalho, entre elas o turismólogo, profissão recentemente reconhecida pela Lei nº 12.591/2012. Esse profissional pode trabalhar desde o planejamento e gerenciamento de atividades até a coordenação de pesquisas relacionadas ao setor.

O futuro se mostra promissor à categoria. A Copa das Confederações, o encontro católico Jornada Mundial da Juventude e as Olimpíadas Mundiais Escolares, todos em 2013, além dos Jogos Olímpicos de 2016, vão trazer mais pessoas ao Brasil. Segundo Roberto Vertemacci, turismólogo e diretor na agência CVC, grandes eventos são bons para trabalhadores de todos os setores, mais ainda para o turismólogo, que “é importante tanto para o governo quanto para os empreendedores que queiram desenvolver projetos ligados à recepção de visitantes”.

As atrações esportivas podem ser o passo inicial para uma explosão turística no país. Pelo menos é o que esperam os especialistas na área, como Valéria Carvalho, 50 anos. Ela trabalha com planejamento e pesquisa em turismo e decreta: os megaeventos funcionam como uma propaganda que venderá o Brasil, o que levará a um maior reconhecimento da profissão. “A principal qualidade desses acontecimentos é a promoção internacional que as cidades terão. É importante avaliar a visibilidade que teremos após a Copa, por exemplo”, diz a turismóloga.

A coordenadora do curso de turismo no Instituto de Ensino Superior de Brasília (Iesb), Mirela Berendt, cita a Austrália como uma nação que teve grande aumento no valor turístico após as Olimpíadas de Sidney em 2000. “A Austrália está aí para provar a importância desses eventos para o turismo. Antes, pouco se ouvia falar em viagens para lá. Hoje, já existem empresas especializadas em intercâmbio somente para esse país. Se seguirmos esse caminho, o mercado ficará forte e a profissão de turismólogo crescerá”.

Ítalo Mendes, 33 anos, é presidente da Associação Brasileira de Bacharéis em Turismo (ABBTUR) e já enxerga a capital do Brasil como um mercado em potencial. “Brasília tem sido um destino bem procurado. Foi escolhida como uma das sedes do Mundial e tem sido foco da promoção nacional no exterior. Com certeza, isso gera oportunidades”, avalia. Ítalo acha que a profissão não é devidamente valorizada, porém prevê mudanças. “Ainda vejo pouco reconhecimento, mas esse contexto deve se transformar. As empresas de turismo têm se atentado para a necessidade de formação”.

 Em janeiro, a presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei nº 12.591/2012, que reconhece a profissão de turismólogo. Do texto original somente dois artigos não foram vetados: o 2º, sobre as atribuições, e o 5º, que data a vigência da lei. Embora não tenha sido aprovada em sua totalidade, a legislação atende a uma exigência de mais de três décadas, identificando o turismólogo como ocupação e não somente como formação.

O artigo 1º exigia que a profissão fosse exercida apenas por bacharéis em turismo ou hotelaria. A exceção seria para não diplomados que tivessem exercido o ofício, ininterruptamente, por ao menos cinco anos. O artigo 3º defendia que o exercício da profissão de turismólogo fosse exercido na forma de contrato regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou como atividade autônoma. Por fim, o 4º pedia o registro do profissional em órgão federal competente. Para justificar os vetos, a presidente ressaltou que a Constituição assegura o livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, cabendo a imposição de restrições apenas quando houver a possibilidade de algum dano à sociedade.

A secretária nacional de políticas de turismo, Bel Mesquita, acredita que o reconhecimento por lei é favorável. “Teremos um profissional muito mais preparado para trazer o desenvolvimento econômico por meio do turismo”, aponta. A não exigência do diploma, no entanto, incomodou muitos profissionais e estudantes, como a aluna do quarto semestre na Universidade de Brasília (UnB), Lisieux Amaral, 20 anos: “Não concordo com o fato de qualquer profissional assumir o cargo que deveria ser do turismólogo. É como um administrador trabalhar de médico, não faz sentido. A obrigatoriedade do diploma é um reconhecimento que falta à classe”.

Leia matéria completa no Correio Braziliense

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