UNB comemora 50 anos

Festividades começam nesta quinta-feira 

A Universidade de Brasília (UNB) comemora 50 anos nesta quinta-feira (15). Criada em meio a sonhos e discussões, a instituição surgiu no papel em 15 de dezembro de 1961, quando o então presidente da República, João Goulart, assinou a Lei nº 3.998, criando a Fundação Universidade de Brasília (FUB), com a missão de estudar os problemas relacionados com o desenvolvimento econômico, social e cultural do país.

Foto/Reprodução

Era o primeiro passo para a materialização dos conceitos do antropólogo Darcy Ribeiro, fundador e primeiro reitor da universidade.

Durante esses anos, a  UNB formou vários artistas, personalidades e políticos, protagonistas da história da capital federal e do país. De acordo com registros no jornal Correio Braziliense, o arquiteto Oscar Niemeyer , que hoje completa 104 anos, e o urbanista Lucio Costa previram que o campus ocuparia um espaço entre a Asa Norte e o Lago Norte, mas foram necessários três anos de discussões até a aprovação da norma que fixasse o endereço definitivo, no local desejado já que os governantes da época, não gostavam da ideia de ter tantos universitários perto do centro do poder. Após a inauguração, em 21 de abril de 1962, as primeiras aulas eram ministradas ao ar livre, nas proximidades do Auditório Dois Candangos e no 9º andar do Ministério da Saúde. Pouco tempo depois, os institutos e as faculdades foram erguidos.

Contra a ditadura, estudantes manifestam na UNB - Foto/Reprodução

Vários fatos marcaram a história da universidade, como o período de ditadura militar, instalada em 1964, logo após a queda de Jango. Foi um período difícil para o país e também para os estudantes. Os militares não pouparam esforços para investigar as conexões entre alunos e professores.  De acordo com o jornal Correio Braziliense, em 1965, uma devassa resultou na demissão de 15 educadores, acusados de subversão e as aulas acabaram suspensas. Indignados com a arbitrariedade militar, 223 mestres e instrutores pediram demissão coletiva. Os especialistas, convocados para formar um corpo docente de ouro, promoveram uma das maiores revoluções dentro da universidade.  

Dr. Edson Machado lembra alguns desses fatos. “Morava em Curitiba quando David Carneiro Júnior, sobrinho do Ministro Suplicy, me convidou para atuar como instrutor do departamento de Economia da UNB. Quando cheguei, a universidade estava em situação de crise. Recém invadida por tropas do exército, ela havia perdido parte substancial do seu corpo docente. Quando deixei a UNB em 1966, ainda havia um esforço de recrutamento de professores para reconstruir a universidade”, conta o educador.

Edson Machado lembra ainda um fato curioso. “Na mesma semana em que o Congresso Nacional aprovou a lei de criação da UNB, aprovou também a Lei 4.024/61, conhecida também como Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), cujo capítulo do ensino superior não guardava qualquer semelhança com a lei da UNB. Havia um movimento dos reitores das universidades federais para que o capítulo do ensino superior da LDB fosse substituído por algo semelhante ao da estrutura proposta para UNB”, destaca.

Assim como na vida de Edson Machado, a universidade esteve presente na história de muitas pessoas. “Cheguei em Brasília em 1977 para estudar Arquitetura na UNB e me apaixonei pela cidade. Naquela época, o país passava pelo fim da repressão militar. Era um momento importante da história do Brasil, que tive a oportunidade de vivenciar ao lado de pessoas engajadas e comprometidas com o futuro. Foi na UNB que conheci a diversidade cultural, social, política e econômica de Brasília”, destaca o arquiteto Lutero Leme.

A história da instituição também faz parte da memória da jornalista Tatiana de Carvalho Pires. “A UNB na década de 80 era inovadora. Brasília ainda era pequena e os grandes encontros eram realizados dentro da universidade”, lembra Tatiana, que na época estudava Comunicação Social.

Passaram os anos e a UNB cresceu. Expandiu o território, os cursos, o corpo docente e a quantidade de alunos. Da data de fundação até hoje, 89.148 estudantes se formaram na universidade em graduações, mestrados e doutorados, aumentando também seu espaço. Segundo a jornalista Manoela Alcântara, em matéria publicada no Correio Braziliense, só nos últimos três anos, a instituição de ensino superior ganhou 203 mil metros quadrados em edificações, quase 40% a mais do que tinha em 2007.

Festividades

Nesta quinta-feira (15), o Memorial Darcy Ribeiro será palco do início das comemorações dos 50 anos da UnB. As atividades terão início às 8h30 com sessão solene seguida de apresentação de jazz, lançamento da marca comemorativa e da nova edição da revista DARCY.

Um totem, com dois metros de altura por dois de largura, revelará a marca criada para os 50 anos e ficará em evidência durante as apresentações. “Está tudo pronto”, diz Fernando Oliveira Paulino, coordenador executivo da Comissão UnB 50 anos.  Para saber mais sobre a programação acesse www.unb.br

 A UNB faz parte da sua história?  

Leia mais: Conheça a Universidade de Brasília, Prêmios, UNB em números

1 comentário

  1. A UnB faz parte da minha história pela conquista de passar no vestibular aos 31 anos de idade, a oportunidade de participar de um movimento novo na graduação de comunicação: o curso de comunicação organizacional, e também pelos amigos que fiz por aqui e me fazem sentir um pouco mais em casa nessa Brasília que me mantém tão distante da minha família e das minhas origens paulistanas.

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