Para Mercadante, o Brasil precisa valorizar o professor se quiser ser um país desenvolvido

Mais de 30% dos professores da rede de ensino no Brasil não são graduados

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, participou nesta quinta-feira, 1º de março, do lançamento do livro Ciência, Tecnologia e Inovação para um Brasil Competitivo, realizado na sede da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em Brasília.

Mercadante defende reajuste de 22,22% no piso nacional dos professores. "Os políticos não sabem matemática", disse ministro da Educação/Foto:BlogEdsonMachado

Durante o evento, Mercadante falou da importância do Brasil investir em educação, ciência e tecnologia e sobre os desafios desta questão no país. “Nós temos sim problemas de competitividade sistêmica da indústria que estão ligados à ciência e tecnologia e esta é uma questão de décadas”, afirmou o ministro da Educação. “Com a crise da Europa, somos hoje a sexta economia do mundo e estamos caminhando para sermos a quinta. Isto melhora a produção da riqueza do Brasil, mas não seremos um país desenvolvido se não resolvermos a questão da educação”, afirmou o ministro.

Valorização do docente

Mercadante voltou a defender o reajuste de 22,22% aplicado ao piso nacional dos professores, levando a remuneração mínima de R$ 1.187 para R$ 1.451. “Fico muito feliz em ver que o livro lançado hoje começa pela educação básica e isto promove uma discussão importante, que é a valorização do docente. Estou travando uma luta para reajustar o piso salarial dos professores, mas muitos prefeitos e governadores dizem que não têm condições de sustentar este valor e estão pressionando para que ocorra uma revisão desta legislação. Politicamente, não é uma tarefa  fácil, mas não podemos retroceder nesta questão da valorização dos mestres. Se nós não pagarmos um salário decente a eles, não teremos educação de qualidade e não vamos atrair os melhores profissionais para sala de aula”, ressaltou Mercadante.

Mercadante quer usar pré-sal para pagar piso nacional de professores

O ministro da Educação afirmou ainda que o Brasil precisa de um “grande pacto em defesa da educação”, com a garantia de aplicação no setor ao menos 30% dos royalties obtidos com a exploração do petróleo da camada do pré-sal durante ao menos uma década. “Temos que lutar para vincular o PIB à educação, mas é fundamental e seguro que também possamos vincular as receitas do pré-sal à educação. Esta é uma questão central, mas o problema é que em geral os políticos começam muito cedo a fazer política e não vão às aulas de matemática. A conta nunca fecha”, brincou o ministro.

Em relação ao ensino superior, Mercadante disse que pretende estreitar a relação entre as universidades públicas e o ensino básico no país. “Não adianta pensarmos que estamos fazendo ciência e tecnologia, se não estamos formando a base neste país, que são os alunos que vão entrar amanhã nas universidades. Apenas 16% dos professores da rede são de universidades públicas e isso não pode continuar”, disse. Para ele, o país tem que melhorar a carreira do docente, melhorar o salário, mas também deve repensar o papel das universidades públicas na formação estratégica dos professores da rede. “Temos dois milhões de professores, sendo que 632 mil não são graduados. Temos que avançar neste resultado para chegarmos a ser um país competitivo”, concluiu o ministro da Educação.

Blog Edson Machado*

*Pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, o Brasil deveria ter todos os seus professores de ensino fundamental e médio com curso superior

1 comentário

  1. Não restam, absolutamente, nenhuma duvida. Só a educação elevará o índice cultural e civilizatório do pais. Entretanto, o grande gargalo, conforme demonstrou o últimio PISA, está no ensino básico, fundamental e médio. Os alunos desse nível, de escolas privadas, é que terão vagas nas Universidades Públicas públicas. Portanto, é preciso refletir sôbnre o dsempenho das Universidades públicas, pois recebem os mais bem formados alunos de ensino fundamental. Estariam elas, as IES públicas, com seu desempênho a contento? Ou se saem-se melhor por pegarem os alunos mais bem formados em escolas privadas? Não seria interessante mandarem para o exterior professores do ensino básico em vez de aprofesssoraes do ensino superior? Acho interessante reflexão acerca deste assunto. Ainda, não seria melhor trazer bons professores do exterior, que pudessem ser mastrizes multiplicadoras, em vez de mandar milhares de brasileiros, que conviverão com culturas e ambientes estranhos ao nosso meio? Só para se refletir.

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