Na edição do dia oito de junho do boletim Inside Higher Education, o jornalista Scott Jaschik comenta decisão recente do Senado Acadêmico da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, sobre uma questão que vinha sendo discutida há cerca de dois anos: o financiamento do governo para seus cursos.
Como é sabido, a UCLA faz parte do Sistema Estadual da Califórnia, portanto recebe recursos governamentais, mas também cobra taxas, especialmente nos seus programas de pós-graduação. No entanto, a Anderson School of Management da UCLA decidiu que não quer mais receber subsídios para o seu programa de MBA, que passa assim a se sustentar apenas com doações e com a receita das taxas pagas pelos estudantes. Para colocar em prática este novo modelo, será necessário aumentar o valor pago pelos alunos. Desta forma, o MBA da Anderson será um dos mais caros dos Estados Unidos, mas ainda mais barato do que, por exemplo, o da Wharton School da Universidade da Pennsylvania.
A decisão foi tomada em uma votação secreta muito apertada, 53 a 46, o que mostra que a questão não era pacífica, como ainda não é. Dentre os opositores, o próprio Conselho de pós – graduação da Anderson já havia se posicionado contra a ideia, com receio de que a falta de recursos levasse a uma queda da qualidade do ensino. Os defensores da proposta argumentavam que com a redução crescente dos recursos governamentais – que já representavam uma parcela ínfima do orçamento da Anderson – mais cedo ou mais tarde haveria uma necessidade de reformular o modelo de financiamento da instituição. O MBA seria uma experiência a ser ou não aplicada a outras situações .
O caso da Anderson School chama atenção por ser um exemplo claro da situação em que se encontram muitas universidades americanas com a redução ou o estancamento dos recursos governamentais para estas instituições. E isso serve de alerta para o Brasil.
A atual greve dos professores das universidades federais brasileiras deveria, mais uma vez, levar-nos a uma reflexão profunda sobre o seu modelo de financiamento. O governo federal, na era Lula, no afã de expandir as oportunidades de acesso, primou por fundar várias novas universidades e estimular a criação de extensões das já existentes. Ninguém sabe ao certo quanto isto está custando ao país, mas sabe-se que os recursos saem apenas do tesouro nacional. Sem identificar nenhuma, para não cometer injustiças, é sabido que muitas dessas novas instituições não fazem juz a designação de Universidade, mas passaram a fazer juz aos benefícios assegurados às mais antigas e tradicionais Universidades do país. A que custo? Não sabemos! Ao custo da limitação dos recursos destinados as mais antigas, que por isso não podem se modernizar?