A reportagem da revista Isto É, Sinal Amarelo para as Universidades Particulares, publicada em 04 de abril na edição 2212, aponta para a questão da expansão do ensino superior privado no Brasil, que representa hoje 78% da matrícula do sistema de ensino superior do país.
O que a reportagem não aponta, e que seria muito importante investigar, é a participação neste conjunto dos grandes conglomerados que vem se formando nos últimos cinco anos no país. Alguns deles com forte participação de grupos estrangeiros, como é o caso, por exemplo, da Universidade Anhembi-Morumbi, em São Paulo, e do grupo Pitágoras, em Belo Horizonte.
A questão é que estes conglomerados representam a verdadeira massificação do ensino. Na medida em que eles impõem a uniformização de programas e currículos, estas instituições quebram o tradicional princípio da diversidade, que é um dos pilares da concepção de universidade que se implantou no Brasil.
A Organização Mundial do Comércio ainda insiste na tentativa de considerar o ensino superior como objeto de transação comercial e sujeito as normas estabelecidas para o comércio mundial. Esta proposta gerou forte reação de educadores e políticos, não apenas brasileiros, que recusam tratar a educação como mercadoria. Esta visão está sendo rapidamente superada pelos fatos. Alguns grupos estrangeiros que já atuam no Brasil também estão presentes em vários países da América e Europa. Para estes grupos, o que realmente importa é a “lógica do mercado” e não os fins da educação. Resta saber se este é um caminho inevitável ou se ainda é possível resguardar as instituições educacionais desta lógica.