Presidente da Capes fala sobre educação e tecnologia no Brasil

O blog Edson Machado conversou esta semana com o professor Jorge Almeida Guimarães, presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes):

Professor Jorge Almeida Guimarães, presidente da Capes (Foto: Blog Edson Machado)

O Brasil está crescendo em pesquisa e tecnologia?

Sim. O Brasil ocupa hoje a 13º posição na produção de artigos científicos no mundo. Ultrapassamos vários países, mas temos o desafio de qualificar melhor estas publicações.

Quais os principais obstáculos neste segmento?

A falta de apoio das indústrias brasileiras, já que durante muito tempo essas empresas preferiram comprar lá fora. Mas esta realidade está começando a mudar, pois elas estão percebendo que precisam competir no mercado e para isso é necessário uma série de iniciativas em pesquisa.

Outro obstáculo é que as teses de doutorado e mestrado são muito criativas, mas do ponto de vista acadêmico. Muitas delas podem se transformar em assuntos, temas e serviços de interesse da indústria, mas é preciso que haja interação entre os dois lados, empresas e universidades. A biotecnologia e a informática, por exemplo, são áreas que já estão sofrendo desenvolvimento a partir de iniciativas de alunos e professores.

Como o sr. avalia o trabalho da presidenta Dilma Rousseff na educação?

O presidente Lula apostou muito na educação básica, ampliação das escolas técnicas e universidades federais. A presidente Dilma tem um pacote de iniciativas que tem como foco a tecnologia, como o projeto Ciência Sem Fronteiras.

O ensino superior brasileiro está crescendo?

Sim. Basta olhar o quadro de formados no país. Em 2010, o Brasil superou a marca de 973 mil formandos e este número é quase três vezes maior que em 2000. Somente nas universidades federais foram 72 mil em 2002 e 99 mil em 2010. Sendo que é importante levar em consideração que um ingressante na educação superior pode levar em média cinco anos para concluir a graduação. Outra questão que merece ser destacada, quando falamos deste assunto, é que não se pode ignorar o aumento no número de ingressantes. Em 2004, 293 mil novos alunos ingressaram na rede pública de educação superior, sendo 127 mil na rede federal. Já em 2010 foram 302 mil ingressantes na rede federal. Um acréscimo de 120% no período. Isso sem falar dos cursos tecnológicos.

Saiba mais:

Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 2010, menos de 2% dos doutores estavam trabalhando em empresas aqui no Brasil. Nos Estados Unidos, Japão e Alemanha, este índice está entre 70% e 80%. Portanto, continuar investindo em educação em todos os níveis e, sobretudo, no crescimento do sistema de pós-graduação no país é importante para melhorar o quadro da infraestrutura de pesquisa no país*.

*Dados apresentados no livro Ciência, Tecnologia e Inovação Para Um Brasil Competitivo .

 

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