É possível aumentar o tempo de permanência dos alunos na escola?

O ministro da Educação, Fernando Haddad, reafirmou esta semana a intenção de aumentar o tempo do aluno em sala de aula. Segundo ele, isto pode ajudar a diminuir a desigualdade entre alunos e melhorar a educação brasileira. O governo pensa em aumentar a carga horária diária de quatro horas para cinco horas e aumentar o ano letivo, que atualmente tem 200 dias, para 220 dias.

O assunto não é novidade. Dr. Edson Machado lembra que Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro já discutiam a oportunidade desta mudança nos anos 40 com a Escola Parque de Salvador.

Anísio apostava na educação para benefício e desenvolvimento de todos os indivíduos, voltada para a democracia e a liberdade de oportunidades. Criou o sistema educacional Escola Parque, onde as escolas, além do currículo básico, propõem o acesso a aprendizagens sobre trabalho e à cultura ampla da humanidade. A primeira unidade de escola com estes princípios foi criada por Anísio Teixeira na Bahia, em Salvador, onde funciona até hoje com o nome de Centro Educacional Carneiro Ribeiro, reconhecida pela UNESCO como modelo educacional.  No entanto, este modelo serviu como referência para elaboração do plano de sistema escolar de Brasília, proposto em 1957 por Anísio Teixeira.

Segundo Edson, aumentar a carga horária de quatro horas para cinco é possível e pode funcionar nas maiores cidades, onde já começa a haver espaços ociosos nas escolas centrais. “Mas é importante ficar atento a questão da educação integral”, afirma.

Edson Machado, que quando secretário de educação do estado do Paraná tentou uma experiência de escola pública em tempo integral, diz que não foi bem sucedida por uma questão de limitação do espaço físico. “Os alunos em tempo integral acabam ocupando espaço que poderia ser destinado a crianças que ainda estão fora da escola”, afirma Edson.

O mesmo problema se apresenta com o aumento do número de dias letivos.

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